Geração “nem-nem”: 30 em 100 jovens piauienses não trabalhavam nem estudavam em 2016

Dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais

O percentual de jovens (16 a 29 anos) que nem estudavam nem estavam ocupados no Brasil (os chamados nem-nem) aumentou de 2014 (22,7%) para 2016 (25,8%). Todas as regiões também tiveram esse aumento. No Piauí, o número é ainda maior: 29,2% (quase um em três) dos habitantes de 16 a 29 anos nem estudam nem trabalham, enquanto no Ceará e no Maranhão a proporção é de um em cada três.

O Amapá foi o único estado onde essa taxa caiu (de 30,8% para 28,5%), sendo a menor taxa registrada no Rio Grande do Sul: 18,4%.

Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), que o IBGE divulgou nesta sexta-feira, com dados próprios e de outras fontes. A SIS analisa o mercado de trabalho, a distribuição de renda e a mobilidade ocupacional e educacional no país.

Em 2016, a maior incidência de jovens que não estudavam nem estavam ocupados se encontrava entre jovens com o fundamental incompleto ou equivalente (38,4%).

O percentual de jovens que não estudavam nem estavam ocupados em 2016 era maior entre aqueles de cor ou raça preta ou parda (29,1%) do que entre os brancos (21,2%). As mulheres pretas ou pardas foram o grupo mais afetado pelo fenômeno (37,6%).

A diferença entre o percentual de homens e o de mulheres que não estudavam nem estavam ocupados ficou em 13,7 p.p. As mulheres tinham, então, 1,7 vezes mais chances que os homens de se encontrarem nessa condição.

A diferença entre o percentual de homens não-estudantes e não-ocupados e o de mulheres na mesma situação se acentua nos grupos mais velhos. Entre homens de 25 a 29 anos de idade, 16,6% não estudavam nem estavam ocupados, enquanto entre mulheres da mesma faixa etária o percentual era de 34,6%.

Mais da metade dos homens jovens que não estudavam nem estavam ocupados procuravam por uma ocupação
Entre os homens jovens que não estudavam nem estavam ocupados, prevaleciam os que estavam procurando e podiam começar a trabalhar em uma ocupação (52,3%), enquanto entre as mulheres, predominavam as que estavam fora da força de trabalho (69,7%).

Ainda entre os jovens que não estudavam nem estavam ocupados, o percentual dos homens procurando e disponíveis para trabalhar em uma ocupação oscilou entre 41,9% (2012) e 45,9% (2015) e chegou a 52,3% (2016), enquanto o das mulheres ficou entre 21,7% (2012) e 25,7% (2015) e foi de 30,3% (2016).

Enquanto 34,6% das mulheres responderam “ter que cuidar dos afazeres domésticos, do(s) filho(s) ou de outro(s) parente(s)” quando perguntadas sobre o motivo de não terem procurado ocupação, apenas 1,4% dos homens apontaram tal motivo como principal.

Entre mulheres jovens que não estudavam nem estavam ocupadas, 92,1% responderam realizar tarefas de cuidados a moradores do domicílio ou parentes e afazeres domésticos no domicílio. Entre homens, esse percentual foi de 61,3%.