Comissionados são obrigados a contrair empréstimos para pagar dívidas de campanhas e pessoais de políticos

Detentores de cargos públicos comissionados são obrigados a contrair empréstimos para "sustentar" políticos.

A nova fórmula para pagamento de dívidas dos políticos com dinheiro público
A nova fórmula para pagamento de dívidas dos políticos com dinheiro público

Os órgãos investigadores e fiscalizadores estão longe de imaginar a nova prática que vem sendo adotada por parlamentares em câmaras e nos executivos municipais e até pessoas com investidura em cargos de alto escalão com poderes para nomear cargos públicos para tomar o “dízimo” de pessoas nomeadas para cargos de comissão.

Políticos que têm o poder de nomear para cargos em comissões em órgãos do executivo, do legislativo em todo o país estão recolhendo parte do dinheiro dos nomeados em cargos como forma de financiamento de campanha eleitorais ou para pagamento de débitos de campanha daqueles que são eleitos, transformando seus gabinetes em câmaras e prefeituras em fontes de recursos para pagamento de suas contas pessoais de suas campanhas com o dinheiro público saindo das contas dos salários dos comissionados direto para seus bolsos.

A prática não é mais arrecadar mensalmente percentuais de salários dos detentores de cargos públicos, mas sim obrigá-los a contrair empréstimos consignados em seus nomes para que de uma vez só o montante completo seja devolvido ao político.

Independente da faixa salarial que esses detentores recebam, todos são obrigados a contrair empréstimos para o pagamento das dívidas dos políticos, em sua maioria com agiotas que financiaram suas campanhas através de “caixa 2”.

A nova prática é em decorrência da descoberta pela operação lava jato de que as empresas, além das contribuições de campanha registradas aos partidos políticos, também financiavam via caixa 2 os políticos através de propinas.

Com a decisão de proibir doações de empresas, a partir das eleições do ano passado, e permitir que somente pessoas físicas e servidores públicos façam as doações, os políticos arrumaram a fórmula de receber dos detentores de cargos comissionados durante a eleição e após os pleitos através de empréstimos consignados das pessoas nomeadas para cargos públicos.