Aliança governista caminha para se manter

A expectativa de partidos de oposição que apostam no rompimento de partidos da base do governo para cerrar fileiras com eles pode não se concretizar na medida em que em outros estados, partidos como o PMDB – que comanda a República –, começam a se aproximar de governos estaduais comandados pelo PT. É o caso, por exemplo, do estado do Ceará, governado pelo petista Camilo Santa, que já é assediado pelo PMDB daquele estado, liderado pelo presidente do senado Eunício Oliveira.

Dois fatos aproximam o PMDB do Ceará do PT daquele estado: o primeiro é o grande governo que Camilo Santana vem realizando com elevada taxa de aprovação, que está a lhe garantir uma reeleição tranqüila. O outro é a perspectiva da candidatura de Lula a presidente se viabilizar. Em recente evento público do governo daquele estado, o presidente do senado fez rasgados elogios a Lula. Mesmo que o ex-presidente não se viabilize como candidato a aliança local entre PT e PMDB deve se concretizar.

A grave situação financeira de alguns estados está minando os projetos de reeleição daqueles governadores que estão no primeiro mandato. Estados como os Rios Grandes do Sul e do Norte, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul dificultam planos eleitorais. Aos que planejam uma reeleição e os que não podem mais se candidatar e desejam apoiar um nome para sucedê-lo vão enfrentar adversários e uma conjuntura completamente desfavorável na disputa eleitoral.

Não é o caso dos estados governados pelo PT que, não obstante estarem sofrendo com a crise econômica, conseguem pelo menos pagar a folha salarial em dia e mantêm em funcionamento serviços essenciais para a população. Talvez por isso, partidos que estão na base de Michel Temer – incluindo o PMDB – buscam alternativas de alianças nos estados que garantam sua representação parlamentar. No Piauí, o PMDB já se agasalhou no governo Wellington Dias (PT) e deve fazer parte da aliança eleitoral.

Com exceção da Bahia, onde estão fechados todos os espaços para um entendimento entre os dois partidos, os demais estados governados pelos petistas devem abri-los para a entrada do PMDB. No Piauí, o partido foca o ambicionado cargo de vice-governador na chapa com Wellington Dias, atualmente ocupado pelo PP, que deseja manter a ocupante, a vice-governadora Margarete Coelho. O risco de o PMDB deixar a aliança, caso perca a indicação, é mínimo, como avaliam muitos especialistas.

No último trimestre de 2017, era grande a torcida para que o governo do estado viesse a atrasar a folha salarial a fim de que isso atingisse a imagem do governador Wellington Dias. Se isso acontecesse, o desejo de muitos se concretizaria. Como não aconteceu e os próximos meses serão de folga de caixa no estado, o governador terá tempo de articular a composição da aliança majoritária sem nenhum prejuízo político-eleitoral. Nessa perspectiva, a tendência é a aliança governista entrar forte na eleição.