Posição precipitada

Antes de tomar posse como governador em janeiro de 2015, o governador Wellington Dias (PT) concluiu a formação da equipe que iria governar com ele sem incluir no acerto da convocação de deputados estaduais para o secretariado o voto para a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. O resultado todos sabem: deputados da equipe não honraram o compromisso e o candidato do governador, o deputado Fábio Novo foi derrotado por Themístocles Filho, que usou de habilidade para vencer.

Nesta terça-feira (16), o governador anunciou em entrevista que já tem organizada a estrutura de partidos com que vai disputar a reeleição em outubro. Como em 2015, onde é certo era esperar o resultado da eleição da Mesa Diretora para fechar o acordo de formação da equipe, Dias não esperou passarem os prazos de abertura da janela de transferência ou de desincompatibilização para anunciar o time que estará com ele nas eleições. Sem contar o julgamento do ex-presidente Lula marcado para o dia 24.

Entre o dia em que o governador fez o anúncio e o prazo para a realização das convenções que irão homologar candidaturas e alianças muitos fatos ainda se sucederão dentro do processo sucessório, a começar pelo julgamento do recurso de Lula pelo Tribunal Regional Federal 4ª Região. Se o resultado for a confirmação da sentença do juiz Sérgio Moro, como ficará a candidatura presidencial do PT? O partido diz que, condenado ou não, terá o nome homologado e encaminhado para registro.

O surgimento de outras candidaturas na disputa presidencial pode sim ter reflexos nas definições de alianças no Piauí. É indiscutível que o governador é favorito para vencer a disputa pela reeleição. Em meio a uma oposição desarticulada e órfã de candidato ao Palácio de Karnak, Wellington Dias ainda não tem seu projeto ameaçado devido a sua forte popularidade, coisa que nenhum dos nomes em discussão possui. Mas nada garante que uma mudança de conjuntura venha a causar fissuras na base do governo.

A oposição continua apostando em baixas de partidos na aliança governista para que o rompimento de uma única sigla grande possa causar um efeito dominó. É difícil mas pode acontecer. Em ano de eleição, os fatos se precipitam de forma surpreendente durante o processo que antecede a realização das convenções partidárias. A razão é simples, partidos, através de seus líderes, conversam a todo instante abrindo portas ou janelas para o caso de um fato colocar os dois num mesmo ponto de convergência.

Há que ressaltar o fato de alguns partidos como o PMDB, que está na base do governo, não têm a unanimidade no apoio à aliança com o PT em apoio à candidatura de Dias ao governo. Diante desse quadro, que ainda não está definido, e com as incertezas sobre o que vai acontecer nos próximos 6 meses, as declarações do governador foram um tanto precipitada. Num país onde candidaturas pré-fabricadas têm a capacidade de mudar conjuntura, melhor terá sido aguardar os fatos que vêm por aí.