A cangalha

Quando julho chegar, mês em que os partidos realizarão suas convenções para homologar candidaturas e alianças, o governador Wellington Dias (PT) não será pressionado a decidir apenas sobre a composição da chapa majoritária, onde o nome de seu candidato a vice vem sendo alvo de uma disputa entre partidos aliados. Ao lado dessa pugna corre um outro conflitos entre aliados: a pressão sobre o PT para que aceite a formação de uma chapão para a disputa de mandato estadual e federal.

O PT vem resistindo enquanto pode para sair com uma chapa independente da aliança majoritária por achar que só assim pode ampliar sua bancada na Assembléia. Partidos da base do governo como o MDB, PP e PDT defendem que a aliança seja em todos os níveis – majoritário e proporcional – para contemplar todos. A questão é que, sem a aliança com o PT as chapas proporcionais desses partidos ficam inviáveis, sobretudo para a renovação dos mandatos de todos os seus representantes.

A alegação do PT, como explica o líder do governo na Assembléia deputado João de Deus, é que seu partido é o único que organiza uma grande lista de candidatos para somar legendas e assim conquistar cadeiras no parlamento. Não é o caso, segundo ele, dos aliados, que entram apenas com os deputados e se aproveitam da legenda que o PT proporciona para garantir a eleição deles. Nenhum partidos, avalia João de Deus, se propõe a entrar na chapa com candidatos que venham também a somar legendas.

Como exemplo, o líder do governo cita o caso da eleição de 2014 quando o PT, aliado ao PTB e ao PP, elegeu apenas 3 deputados enquanto o PTB 5. “Na soma dos votos obtidos individualmente por cada partido, o PT teve 1 mil votos a mais que o PTB e nós conquistando apenas 3 vagas, enquanto eles 5, e tínhamos mais nomes na chapa”, diz.

De fato, João de Deus tem razão; os deputados do PT são eleitos com uma obtenção pequena de votos, caso de Fábio Novo, Lima e Flora Isabel em 2014. O mais votado foi o atual secretário de Agricultura com mais de 30 mil votos, enquanto Novo e Flora ficaram abaixo dos 30 mil. No PTB, havia deputados com votação expressiva e o resultado da soma de legendas é que dos quatro primeiros suplentes da coligação quatro são do PT, enquanto o PTB, o suplente melhor posicionado foi Zé Hamilton (8º).

Outra queixa dos petistas, essa não chega a público, pelos cotovelos é o fato de que quase nenhum deputado de partidos aliados ao PT na Assembléia se permite defender o governo dos ataques da oposição (a única exceção é Evaldo Gomes). Quando isso acontece, essa tarefa é jogada nas mãos do líder João de Deus que vai deixar a Casa e a função em abril pois é suplente. Quem vai defender o governo? Se todos participam do bônus de ser governo devem arcar com o ônus. Mas todos são a favor do chapão para subir na cangalha.