Um tiro no escuro

A tendência de polarização entre o governador Wellington Dias (PT) e o candidato do PSDB Luciano Nunes na disputa pelo governo do estado nas eleições deste ano é apontada por pesquisas de intenção de votos, mas o postulante tucano ainda precisa de algo mais para se tornar competitivo. A oposição, embora composta de partidos com alguma estrutura, como é o caso do próprio PSDB e o PSB, além do DEM que ganhou corpo com a chegada de Heráclito Fortes, ainda está longe de preocupar Dias.

Talvez por isso, os oposicionistas estão com a ilusão de que haverá baixas na base do governo causadas por insatisfações advindas do resultado da escolha do nome do candidato a vice-governador de Wellington Dias disputada por dois grupos partidários que insistem em indicar o nome. Nos últimos meses, Dias tem trabalhado para costurar acordo com partidos e fortalecer seu projeto de candidatura atraindo vários partidos para sua base mas a escolha do vice pode provocar sérios tremores.

É natural que a oposição aguarde um desfecho e torça para que ele cause fissura na base governista. E necessita que isso ocorra. No momento, a chapa majoritária oposicionista precisa ganhar envergadura para, como vem pregando seus líderes e planejadores, tentar levar a disputa a um segundo turno. No entanto, só o nome de Luciano Nunes não será suficiente para ampliar seus índices e com isso se aproximar dos índices do governador para depender pouco da soma dos demais concorrentes.

A demora na escolha do candidato a vice-governador mostra a falta de opções para o preenchimento da chapa. Ademais, na chapa de senador só ex-governador Wilson Martins (PSB), que lidera a corrida embora com índices ainda muito baixos, parece ser o carro-chefe para puxar os demais. Por ser o mais conhecido de todos e por essa razão o eleitor consultado lembra mais o nome dele, Martins pode ser o diferencial para ajudar o candidato oposicionista a crescer no curso da campanha.

Não é uma boa estratégia colocar um vice que seja menos conhecido que o próprio candidato, pois já foi um erro entregar ao prefeito de Parnaíba a responsabilidade pela escolha do nome. Mão Santa não tem um nome capaz de somar numa chapa onde o candidato cabeça-de-chapa faz sua estréia numa disputa majoritária. Esse acordo de regionalizar a chapa de governador na oposição é desnecessário e só causa uma conseqüência: protelar por mais tempo a escolha do nome e quando isso acontecer corre o risco de ser feito às pressas.

Acreditar que algum partido vá deixar a base do governo, a estas alturas, é dar um tiro no escuro. A oposição devia fechar sua chapa e definir sua estratégia sem se preocupar com o que pode ocorrer dentro da base governista. Até porque seria ingenuidade do governador e seus articuladores provocarem situações que possam resultar em debandada de partidos de sua coligação. A não ser que os articuladores do governo careçam de inteligência. Fora isso, é ilusão apostar em racha. Por essa razão é que, quem está no governo não quer sair, e quem não está quer entrar.