Manifesto é apenas emblemático

A disputa pela indicação para a vaga de vice-governador na chapa majoritária da aliança governista terá mais um capítulo neste controverso processo de escolha do nome do companheiro de chapa do governador Wellington Dias. Nesta segunda-feira (11), cerca de 50 prefeitos – a maioria do PP – se reúne num almoço em restaurante de Teresina para lançar um manifesto em defesa da permanência da vice-governadora Margarete Coelho na chapa como candidata também à reeleição.

Não deixa de ser um evento que chama atenção, principalmente de setores da mídia que se alimentam de especulação em torno da sucessão estadual sempre atirando a ermo em cima de fatos fantasiosos e, para não perder o foco na dinâmica da política, mais confundem que informam. Contudo, esse manifesto terá pouco peso na definição do nome do candidato, uma vez que a escolha cabe ao próprio governador ouvindo os aliados para evitar que sua decisão possa causar insatisfações internas.

É indiscutível que Margarete Coelho não passou em branco nestes últimos 42 meses  no exercício do cargo de vice-governadora, não se limitando a contatos de gabinetes e procurou sempre participar dos eventos oficiais e políticos durante o período. Ocorre que a escolha de um candidato a vice-governador, principalmente quando o candidato a governador está no mandato e vai pleitear a reeleição, é um processo complicado se na base do governo estão partidos de grande peso eleitoral.

Por ser uma advogada em pleno exercício de sua atividade profissional – está afastada para o exercício do cargo –, Margarete Coelho sempre foi uma escolha técnica para ocupar a vaga na chapa de Wellington Dias, ainda que à época de sua indicação, ela estivesse exercendo mandato de deputada estadual. Com sua habilidade nunca se deixou ofuscar nem se acomodou. Essa escolha de agora, porém, terá um forte ingrediente político, mesmo que o nome dela ganhasse a preferência.

Desde que ingressou oficialmente na aliança, passando a participar do governo ocupando cargos, o MDB mirou a vaga de vice-governador cobiçada pelo fato de daqui a quatro anos, o substituto eventual do governador viesse a ter perspectiva de assumir o governo – caso vença as eleições de outubro – em 2022 com uma potencial renúncia do titular para se candidatar ao senado. Com um poder de barganha maior, o MDB parece estar levando vantagem na corrida para ficar com a vaga na chapa majoritária.

Com efeito, o manifesto a ser lançado logo mais por prefeitos será apenas emblemático se for levado em conta que o documento não é um elemento de critério, mesmo que a justificativa pela defesa de Margarete seja plausível. Ademais, prefeitos não influenciam no resultado das convenções. Diante disso, restará apenas à vice-governadora agradecer a manifestação de apoio e admitir que o processo passa menos pelo desejo deles e mais pelos interesses de cúpula dos aliados.