Um manifesto anti-Themístocles?

Apesar da repercussão que o encontro de prefeitos de partidos da base governista para o lançamento de um manifesto em favor da permanência de Margarete Coelho na chapa majoritária como candidata a vice-governadora nesta segunda-feira (11) amanhã vai ser outro dia. Neste outro dia, que é esta terça-feira (12) outros fatos irão, com certeza, ofuscar o movimento que só chamou a atenção pelo fato de ter sido marcado para o horário em que as TVs apresentam seus telejornais.

Mesmo tentando criar uma perspectiva favorável à vice-governadora, em que ela própria já tomou ciência de que está fora do páreo, uma vez que já orientou pessoas ligadas a ela em municípios do interior de que o trabalho será por uma candidatura a deputada federal, o encontro dos prefeitos dá margem à interpretação de que tudo não passou de um manifesto anti-Themístocles Filho. Nenhum dos presentes tem coragem de admitir isso mas com certeza o recado está dado.

Não por acaso, a organização e a realização do evento não se deu apenas no âmbito do PP, partido da vice-governadora. Por trás dessa manifestação estava o prefeito de São João do Piauí, Gil Carlos, que é do PT e muito ligado ao governador Wellington Dias e a deputada Rejane Dias. Ora, Carlos não participaria de um movimento sem comunicar isso a quem ele segue. A ausência do senador e presidente do PP Ciro Nogueira foi emblemática sugerindo um toque de combinação ao fato a ser gerado.

Por trás da cortina que envolve todo esse cenário pode estar o desejo da inclusão de uma terceira via no processo de discussão, como se no recado estivesse embutida uma condicionante: “se não é Margarete a candidata a vice também não o deve ser Themístocles Filho”. O caso da escolha do nome do candidato a vice vai muito além do desejo de um grupo de prefeitos, porque envolve uma série de fatores entre eles um caminho sem obstáculos para a candidatura do governador não sofrer solavancos.

Apesar de o MDB não ser um partido que transborda virtudes políticas ou que não adote práticas passivas de críticas, a legenda emedebista não deve ser vista como um grupo desprezível só porque defende a indicação de um de seus quadros para ser o companheiro de chapa do governador. Pode até ser um direito de eles, os prefeitos, pleitearem ou declararem apoio à permanência da vice-governadora mas é também um direito do MDB reivindicar a indicação para um de seus membros.

Todo esse imbróglio se desenvolve em razão do tempo de postergação que Wellington Dias tem feito em torno da definição do nome. O governador acha que, adiando ao máximo a escolha e anúncio de seu candidato a vice, ganha tempo para que o presidente da Assembléia recue de sua pretensão. Mas as coisas não são assim quando a ausência de uma atitude franca nesse processo se faz prevalente. Sorte que o estopim do barril de pólvora não foi aceso. Mas pode vir a ser.