Médico explica sobre reprodução assistida para quem tem dificuldades de engravidar

Diversos fatores impedem uma gravidez, mas três técnicas podem ajudar a realizar esse sonho de muitos casais

Ter filhos é o desejo de muitos casais. E com os avanços tecnológicos e pesquisas, esse sonho pôde se tornar realidade até mesmo para os parceiros que por fatores de saúde, ou dentre outros, não conseguiram chegar ainda ao processo de gestação. O médico André Luiz Eigenheer da Costa, especialista em ginecologia e reprodução assistida dá explicações sobre o assunto em entrevista ao Tá no AZ, desta semana.

Médico André Luiz no Tá no AZ (Foto: Marcelo Gomes / Portal AZ)
Médico André Luiz no Tá no AZ (Foto: Marcelo Gomes / Portal AZ)

De acordo com o especialista, o médico André Luiz, existe três técnicas de reprodução assistida: Indução por Ovulação, Inseminação Intrauterina e Fertilização in Vitro.

“Na indução da ovulação, a paciente toma os remédios e há orientação para que se tenha o coito programado. Na Inseminação Intrauterina, o sêmen é colocado dentro do útero quando a mulher está ovulando. Na Fertilização in Vitro, o embrião é feito no ambulatório e colocado no útero da mulher. Essa última é a técnica mais utilizada no mundo porque ela resolve inúmeros fatores: se o homem tem pouco espermatozoide ou fez vasectomia ou a mulher fez laqueadura ou está com uma idade mais avançada. Nesses casos, a fertilização in vitro é o melhor método”, afirma.

Segundo o médico, inúmeros casais adiam uma gestação por causa da instabilidade financeira. Esse processo pode ser demorado, e com isso, as chances de uma gravidez se tornam difíceis, isso porque fatores como a idade e a qualidade dos óvulos e espermatozoides são relevantes para uma gravidez.

“Dos fatores que possam impedir uma gravidez, 30% das vezes é só feminino, 30 % das vezes é só masculino, e em 40% dos casos ambos possuem fatores que prejudicam esse processo. O ideal é a mulher engravidar até os 30. Não engravidou? Até os 35. Hoje o que acontece é que o os casais estão se casando mais tarde por que vão estudar e trabalhar e acabam deixando a maternidade esperando que se estabilizem financeiramente. E com isso, digamos que a mulher já tenha mais de 35 anos, ela chega a esperar quase dois anos para engravidar, não consegue, e só então vai procurar ajudar. O ginecologista geral não valoriza a questão da idade e diz que está tudo normal através dos exames, e a paciente chega até mim com quase 40 anos, sendo que depois dos 35, se tem uma queda muito acentuada do número de óvulos, além da má qualidade, que tornam mais difícil ocorrer a fertilização. Depois dos 40 anos,  o tratamento fica mais caro, mais complexo, porque é recomendável a fertilização in vitro que depende ainda de uma avaliação genética antes de colocar o embrião dentro do útero”, destaca.

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Para as mulheres que pretendem ter filhos, mas estão nessa situação de deixar a gestação apenas para depois dos 35 anos, o especialista aconselha que a paciente congele os óvulos ainda jovem. E se tratando de um casal, ele diz que é possível também se congelar o embrião.

“A mulher pode preservar a fertilidade congelando óvulos se ela tem menos de 30 anos, porque é o esse o período ideal.  E quando  ela tiver com 40 ou 50,  e ela sente que esse é o momento para ser mãe, ela poderá utilizar esse óvulos.  Se ela já tem o parceiro, poderá congelar o embrião. O homem também pode congelar o sêmen”, explica.

Foto ilustrativa (reprodução internet)
Foto ilustrativa (reprodução internet)

André Luiz também ressalta outra alternativa para a maternidade. “Com a idade mais avançada, quando a mulher já está na menopausa, podem também ser utilizados óvulos doados. Nós buscamos  uma doadora com as características mais próxima da mulher injetamos o espermatozóide do marido no óvulo da doadora e os melhores embriões são transferidos para o útero da paciente”, pontua.

Mulheres com ovários policísticos podem ter dificuldades para engravidar, mas o médico explica que isso pode ser resolvido, dependendo das condições da paciente,através de um simples tratamento.

“Mulheres com ovários policísticos não ovulam com freqüência, então, as chances de engravidar diminuem bastante, mas se as trompas tiverem normal, o sêmen do marido normal, ela engravida através da indução da ovulação, ou seja, tomando remédios  e com coito programado que é o tratamento mais simples”, informa.

Reprodução assistida (Foto ilustrativa)
Reprodução assistida (Foto ilustrativa)

Na reprodução assistida, por meio desses três métodos explicados pelo médico André Luiz, os especialistas acompanham a paciente no primeiro trimestre por causa dos cuidados mais específicos, mas o pré-natal é feito, normalmente, com o ginecologista geral.

Projeto solidário ajuda casais carentes a terem filhos

O  médico André Luís com mais duas colegas de profissão, Nadia e Fabiana, atendem voluntariamente casais que não têm condições de pagar tratamento para terem filhos.

“Atendemos o casal  por meio da Fundação Social de Saúde Reprodutiva (Funsapre), que funciona dentro da Fundação Maria Carvalho. O casal deve pedir no posto de saúde um encaminhamento para a Funsapre e lá conseguimos solicitar exames e ajudar nesses casos mais simples, dando a orientação mais adequada e, caso, se trate de uma situação mais complexa para o casal, como inseminação ou fertilização in vitro, nós direcionamos esse casal para a Fertivida e lá eles terão um desconto no tratamento”, informou.

Mais de 1.500 bebês já nasceram com as ações desse projeto voluntário.

Fertilização In Vitro (Foto ilustrativa / reprodução internet)
Fertilização In Vitro (Foto ilustrativa / reprodução internet)

Mais detalhes sobre a Fertilização In Vitro

O médico André Luiz explica que na Fertilização In Vitro, os óvarios são estimulados, os óvulos são retirados e neles são injetados os espermatozoides. “Dai ficam cinco dias até chegarem ao estágio chamado de Blastocisto. É possível fazer uma biopsia desse embrião, e saber além do sexo se tem alguma síndrome. No caso, só se transfere os que forem saudáveis, com isso, aumenta-se a chance de gravidez e diminui o risco de aborto. Mas pela idade, a diminuição do número e qualidade de óvulos, o índice de má formação é mais alto, então, a paciente precisa repetir várias vezes esse processo. Para se ter uma ideia uma mulher com 45 anos para ter um embrião saudável, ela precisa de 20 óvulos”, explicou o especialista. 

Inseminação Intrauterina

Mesmo que o sêmen tenha alguma pequena deficiência ele poderá ser tratado em laboratório para então ser injetado no óvulo. “É feita uma capacitação desse sêmen em laboratório e, com a melhora, ele é injetado na mulher.  Ela pode ter apenas uma trompa pérvia funcionando, normalmente, ou pode até mesmo não está ovulando, porque pode ser feita uma indução da ovulação”, afirmou.

Médico André Luiz da Costa (Foto: reprodução internet)
Médico André Luiz da Costa (Foto: reprodução internet)

Sobre o médico André Luiz da Costa

O médico André Luiz Eigenheer da Costa, especialista em ginecologia e reprodução assistida, atua nos estados do Piauí, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte. Formado pela Universidade São Francisco (U.S.F), em São Paulo, o médico é especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Maternidade de Campinas,  e em Ginecologia Endócrina pelo Hospital Pérola Byington em São Paulo e Valladolid – Espanha. É diretor médico da Clínica FERTVIDA, que tem atuação nesses estados e que é responsável pelo nascimento de mais de mil bebês através dos métodos de reprodução assistida.

Além disso, é membro das Sociedades Brasileiras de Reprodução Assistida (SBRA), Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina (SOBRAGE), da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e da European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE).

Assista ao vídeo do médico André Luiz: